A entrada no novo milénio não deixou ninguém indiferente. Vivemos num mundo inundado pela globalização e livre circulação de comunidades. Porém o mundo é um mistério para todos nós. Cada detalhe, cada pormenor. E quase todos nós olhamos para ele de formas distintas, ainda que por vezes as visões se possam aproximar. E às vezes não significa que a coisa seja diferente, a perspectiva sobre ela é que muda.

O desenvolvimento das grandes cidades e a globalização veio desenvolver novos meios de interacção colectiva e convívio entre indivíduos. Contudo, a verdade é que este mesmo processo social enveredou numa via de anomia e isolamento pessoal. A entrada no novo milénio possibilitou a entrada num período cada vez mais individualista, onde cada pessoa se isolou no seu pensamento, pensamento esse que tanto engloba visões gerais do mundo, como também todo o tipo de conteúdos que enfrenta e adquire no seu dia-a-dia.

A interpretação de cada um resume a sua consulta antecipada de conceitos já previamente definidos, barreiras que podem limitar a comunicação. O recurso a estereótipos condiciona a obtenção de novo pensamento e novo conjunto de informações – os dados recebidos chocam com aquilo que já está inserido no seu quadro de raciocínio mental.

Para um profissional na área da comunicação, neste caso a prática das Relações Públicas, é necessário atender a esta heterogeneidade de pensamento entre os indivíduos. Enfrentamos um mundo com necessidades cada vez mais acrescidas e com elevado teor de exigência. Transpondo para o sector empresarial e de consumo, as tendências consumistas encontram-se cada vez mais dispersas, resultado da diversidade de mentalidades. Perante esta débil ou difícil tarefa de comunicação, as organizações, para sobreviverem no mercado de elevada concorrência, terão de conjugar os interesses e características da sua envolvente nas mensagens que concebem para o seu exterior.

Tal como “não são só os professores que ensinam“, é necessário atender essa premissa e transitá-la para a nossa área de estudo. De certo, a comunicação estabelece-se por diferentes caminhos e entre diferentes indivíduos. Com o desenvolvimento do mundo tecnológico adveio a preocupação natural de elaborar mensagens com o público de uma forma séria e credível, pensada de forma profissional no sentido do termo.

A verdade é que seria ingénuo que, enquanto profissionais de Relações Públicas, seja possível controlar de forma integral todos os fluxos de informação e interesses do nosso público-alvo. Porém, a tecnologia permitiu aos profissionais da área ter um acesso mais facilitado a estas plataformas de comunicação – o desenvolvimento tecnológico trouxe-nos o tablet e o smartphone, que possibilitou o acesso à internet em qualquer espaço. De certo, o recurso a estes instrumentos possibilitou aos profissionais de Relações Públicas analisar tendências e feedback gerado pelo público, ou por outras palavras, recolher interpretações individuais da sua envolvente organizacional.

O avanço tecnológico transportou consigo a capacidade de aproximação entre marca e consumidor, que de alguma forma reestruturou a comunicação estabelecida entre estes dois pólos desta relação dependente e permitiu às organizações, e em especial as Relações Públicas, apreender o mundo que as rodeia. A presença em plataformas, como redes sociais, permite às Relações Públicas servir a relação e nivelar as exigências do público externo e dos quadros de gestão organizacional, posicionando a organização no rumo certo.

A forma como é trabalhada a mudança de opinião ou a própria “quebra” de informações que o público já abarca no seu pensamento parte acima de tudo pela constituição de mensagens com uma intenção ou propósito, ainda que por vezes inconsciente. A tecnologia, neste caso em especial o desenvolvimento web, veio incrementar os canais de comunicação disponíveis e permitiu aproximação com o público sobre temáticas e conteúdos. As Relações Públicas, entre a relação organização-consumidor, emergiu como forma de interpretar o mundo, na medida em que, através de diversos canais agora produzidos graças ao desenvolvimento tecnológico, permite a cada profissional monitorizar interesses e feedback do público, sendo mais fácil adequar futuras mensagens a essas características de cada audiência. A Web veio uma vez mais tornar o impensável concretizável.

Concluindo, as Relações Públicas são uma forma de interpretar o mundo, uma vez que permitem detectar oportunidades ao nível estratégico e comunicacional. Por outras palavras, as Relações Públicas geram consenso e coerência interna numa organização.

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