Não é preciso destacar que o actual panorama negocial se traduz pela constante procura de diminuição de custos, melhoria de produtividade e foco atribuído aos resultados. A estratégia, para uma  organização e profissionais de Relações Públicas, assume um papel importante para a formulação de objectivos e em função dos recursos disponíveis. O pensamento estratégico define o percurso pelo qual as acções futuras necessitam de ser enquadradas.

O avanço no mercado não se executa pela incerteza. É necessário um pensamento estratégico que permita à organização definir concretamente os seus objectivos, seleccionando aqueles que lhe permitem criar avanço competitivo. Mas a estratégia não é estática e visível. Esta é o reflexo da convergência da cultura organizacional com os objectivos que se pretendem alcançar no futuro – funciona como fio condutor, procurando guiar a organização para o sucesso, de forma padronizada e formal.

A estratégia não é mais do que a linha de pensamento de categorias abstractas para aplicação no contexto real da organização. Porém não convém subestimar esta fase do plano operacional de uma organização. Funciona como critério para atingir determinado patamar. Determinado objectivo. Procura balizar a materialidade dos nossos objectivos. Daquilo que procuramos atingir enquanto entidade – A estratégia implica Trade-Off, estabelecendo fronteiras na actividade organizacional, interna e externamente.

De certo, a estratégia condiciona todo o seu processo de acção posterior – as acções levadas a cabo pela organização necessitam de estar paralelamente alinhadas com o pensamento estratégico. Ao precaver este pensamento, ou até mesmo seguir em frente sem a existência de um planeamento estratégico para a organização e os seus departamentos, leva ao insucesso, descoordenação e vulnerabilidade competitiva.

Embora o conceito gere ambiguidade na sua aplicabilidade no meio académico e profissional, é comum o facto de esta ser primordial para qualquer plano de comunicação em Relações Públicas. Esta ajusta a definição de objectivos, táticas e o processo de descrição e operacionalização de todo o plano. Caracteriza-se pela sua natureza subtractiva, regulada por critérios como o posicionamento da organização e seus valores respectivos.

Por outro lado, o valor é o principal outcome de um plano organizacional. Este elemento procura gerar diferenciação entre os restantes concorrentes de mercado. Passa por criar reconhecimento na sociedade.

No mundo da tecnologia, bem como em outros sectores de actividade, a criação de valor implica uma visão Business to Society (B2S), embora as acções também procurem acrescentar valor ao negócio e consumidores. No mundo actual,  o consumidor tem cada vez mais impacto no progresso de uma organização. Deste modo, é necessário enquadrar a realidade social nas organizações. Requer a criação de legitimidade perante a sociedade, bem como o processo comunicativo requer ser percepcionado como um todo e como alinhamento entre a organização e a sua envolvente.

As plataformas de social media deram voz às pessoas. A informação é porosa e pode colocar em causa a reputação organizacional. Deste modo, não basta apresentar um produto ou serviço para a sociedade. Passa por esse produto criar igualmente valor para a sociedade. Por outra palavras, criar diferenciação.

Para um profissional de Relações Públicas, a definição de uma estratégia é importante para a análise externa da organização, fazendo do desenho estratégico o suporte do processo de tomada de decisão. De forma a gerar coesão interna sob a definição de um pensamento estratégico, surgiu o Canva Business Model, desenvolvido por Alexander Osterwalder, servindo como ferramenta para o desenho do planeamento organizacional e definição do panorama organizacional actual – procurando incrementar modelos de negócio futuros.

A estratégia funciona, desta forma, como quadrado invisível, pois se trata de um elemento interno e não palpável. O que a torna visível são as acções levadas a cabo pela organização, alinhadas a este elemento intangível. Com efeito, é possível usar o pensamento de um dos grandes estrategas de guerra, Sum Tzu:

“Strategy without tactics is the slowest route to victory. Tactics without strategy is the noise before defeat”

De facto, estas acções e práticas levadas a cabo pela entidade, visíveis para o ambiente externo organizacional, requerem coerência, continuidade e associação com o pilar estratégico que as une.

Nos dias que correm, empresas como a Apple, a Samsung, a Google ou a Microsoft tentam-se destacar no mercado adoptando uma estratégia de gestão que procure criar distinção e diferenciação de produto ou serviço face à sua concorrente. Procuram acima de tudo caracterizar o seu público e as suas intenções no que procuram no seu serviço.

Para a Apple, a sua estratégia enquadra três níveis de valores distintos, conjugados com os valores partilhados com consumidores:

  • Valores Organização: Mesmo sistema ético; Noção de Cidadania; Reflectem estilo de vida
  • Valores Especialidade: Capacidade de Liderança; Reconhecimento de uma capacidade especial numa área específica
  • Valores Preferência: Benefícios directos para o público; Definidos por questões como preço, serviços ao cliente ou características técnicas de um produto.

Ao apresentar o seu produto no mercado, a empresa destaca o seu produto recorrendo a uma simples descrição de algumas das suas componentes ou especificações. Um bom exemplo desta abordagem face ao seu produto vê-se retratada no Ipad Air.

A Apple dispõe o seu tablet no mercado com preço de venda superior ao das suas concorrentes com uma margem de 45%, embora o produto concorrente apresente as mesmas especificações ou características de hardware e software. Porém, o Ipad Air continua a ser o mais vendido no mercado dos tablets, resultado de uma estratégia de comunicação onde a marca pretende destacar-se das suas concorrentes ao sublinhar as especificações que traduzem inovação, que são procuradas pela comunidade (criação de valor de produto):

  • Lightness: O Ipad Air é mais leve e fino face aos concorrentes;
  • Display Quality: O ecrã Retina torna-o o melhor visor do mercado;
  • Software: Rapidez do sistema operativo. Protecção contra vírus;
  • Engineering: traços como build quality e rigidez do produto, bem como a sua resistência a pequenas quedas;
  • Ease of Use: Como a Apple produz o hardware e o software, torna a utilização do produto mais fácil para cada tipo de utilizador.

Características como estas tornam este produto da Apple diferenciador no mercado, uma vez que os consumidores negam o preço como variável de decisão de compra de produto. Reconhecem o produto como inovador, de boa qualidade.

Outra visão estratégica é a criação e ganho de vantagem tecnológica. Ao adoptar um pensamento estratégico onde se pretende atingir inovação tecnológica melhora a produtividade, aumenta o número de vendas, bem como o próprio domínio de mercado.

A procura de vantagem tecnológica poderá apenas resumir-se pela contratação de activos que lhe permitam atingir esse mesmo patamar. Um das empresas que seguiu este pensamento estratégico foi a Amazon, que através do seu serviço prime, iria utilizar drones como meio de transporte de encomendas de pequenas dimensões.

Ao usar drones como meio de entrega de encomendas permite à amazon ganhar vantagem competitiva face aos seus concorrentes, que dependem de meios terrestres de entrega menos eficientes; uma vez que 86% das encomendas pesam menos de 5 Kg, o drone torna-se o veiculo perfeito; por outro lado, os drones permitem que a Amazon alcance regiões rurais com maior facilidade, onde outras redes de entrega não cobrem. Por último, a entrega de encomendas permitem melhorar significativamente os prazos de entrega em grandes áreas urbanas.

Porém, o desenho estratégico por parte da Amazon obteve algumas limitações. Deste modo, a estratégia da Amazon não foi capaz de enquadrar os recursos e variáveis externas para o desenvolvimento de um objectivo tão ambicioso. Face à realidade externa, nomeadamente governativa, a Amazon vê o seu projecto ser rejeitado por politicas nacionais.

Em suma, é necessário algum realismo na elaboração de uma estratégia, uma vez que reduz a incerteza no plano negocial a adoptar no futuro.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s