A criação do Pai natal é, em grande parte, o resultado da sociedade consumista que caracteriza o nosso dia-a-dia. Da conformidade face a uma criatura idealizada pela construção de um desejo consumista, agregado à atribuição de afecto material perante o contexto familiar. A substituição da religião e da crença do nascimento de Jesus a uma época natalícia materializada, onde a fé e os valores familiares foram substituídos pela individualidade e a inveja de cada um em receber determinadas prendas ou quantias monetárias daqueles mais próximos.

A utopia de omnipresença desta criatura desenvolveu uma mentalidade consumista, agora virada para o seu contexto global e aceite por diversas sociedades. De uma figura desenvolvida pela Coca-Cola, a uma imagem que caracteriza uma época do ano, padronizando o próprio conceito da mesma. Ao moldar este pensamento, a existência desta figura carinhosa e carismática aos olhos dos mais novos é alimentada pelo investimento incansável por parte das organizações em querer incrementar a venda dos seus produtos e serviços, maximizando o seu lucro e garantindo a sua sobrevivência numa sociedade capitalista cada vez mais caracterizada pela competição entre entidades empresariais.

Certamente, a figura do pai natal não existe entre nós, mas está na mentalidade de cada um. É uma construção de culto associado ao grande consumo. Não é uma realidade, mas um conceito que move milhões de euros anualmente e que funciona como uma marca. A vivacidade deste conceito levou a que grande parte das empresas se agarrassem a este em prol do seu bem económico.

A verdade é que nesta relação entre consumidores e organizações, o verdadeiro pai natal, figura baseada em São Nicolau que retribui boas acções e comportamentos aos demais, existe na realidade. De certo, é possível denotar uma analogia entre o consumidor e o papel de um pai natal. Assim, as organizações que procuram satisfazer da melhor forma os desejos e os interesses da sua envolvente são aquelas que “se portam bem” e que devem ser premiadas por aquilo que fazem ou procuram fazer na sua actividade diária. Assim, o consumidor “prenda” a organização pelo facto de esta garantir aquilo que é pedido inicialmente. A recompensa das organizações passa pela fidelização de consumidores, que olham para a entidade com confiança e merecedora do investimento monetário dos seus consumidores. Num mundo cada vez mais marcado pela diversidade num mesmo mercado ou sector económico, as organizações (ou “crianças”) que não garantem as exigências da sua envolvente são as que não são premiadas e é o ponto de partida para o fracasso empresarial. O esquecimento. A falência colectiva.

Portanto, a obtenção de resultados numa organização sobre determinada vertente, seja ela social, económica ou financeira é determinada em grande medida por este conjunto de “pais natal” que actuam ao longo do ano. Enquanto organização e Relações Públicas, passa por construir valor perante a envolvente, de histórias que comovem pessoas, que unam a entidade organizacional e o seu consumidor.

Consumismo à parte, grandes organizações como a coca-cola e a Apple, que durante anos facturam sobre o conceito de natal e da figura do Pai Natal, reviram a concepção comunicativa nas suas campanhas natalícias. Deste modo, o Natal torna-se uma época de união entre indivíduos, sejam familiares ou meramente estranhos. O anonimato perde força neste espaço temporal, erguendo-se valores de partilha e de comunhão com o próximo, valores que caracterizam a tradição cristã do nascimento de Jesus, seguida pela comunidade crente no sociedade.

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