No começo desta aventura enquanto blogger iniciei o meu percurso com uma visão redutora sobre a forma como as Relações Públicas procuram definir a sua actividade como importância no processo de interpretação do mundo e reconhecimento das interpretações de toda a envolvente organizacional. Enquanto futuro profissional na área, reconheço que as Relações Públicas são mais que isso: são o elemento chave para a criação de valor; para a criação de uma história que comova comunidades, que permita a própria união e coesão entre organização e toda a sua envolvente.

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Projectos como o Globcom tornaram a minha visão de Relações Públicas mais ampla, embora exista um elemento caracterizador de entre todas as visões e formas de abordar a área de estudo por arte dos múltiplos países que fazem parte da organização do próprio projecto. Em Relações Públicas a interpretação do mundo é o resultado da investigação incansável por parte dos profissionais em determinar um quadro de valores que possa ser partilhado e que funciona encaixado ao quadro já definido por parte de consumidores, colaboradores, stakeholders e shareholders. Aqui, a visão é a de que é necessário a criação de storytelling, a criação de uma história, como forma de aproximação com um público cada vez mais disperso e com características heterogéneas entre os demais.

Por um lado, a criação desta história tornou-se cada vez mais acessível com o surgimento da internet e com o desenvolvimento do mobile. Aproveitando o facto de o mundo se encontrar em grande medida conectado por este tipo de redes, tornou mais fácil alimentar opiniões, refutar visões erradas ou um pouco limitadas ao nível argumentativo. A ligação permanente com a internet tornou o acesso a diferentes comunidades mais facilitado e cada vez mais recorrente. Porém, com a internet adveio a necessidade de um pensamento cada vez mais estratégico e bem definido, uma vez que um passo em falso poderá trazer nódoas na própria percepção do público face à organização (imagem corporativa) e desvalorização da reputação da própria entidade. As conversas que aqui se fazem, num mercado cada vez mais heterogéneo, são fruto da investigação anterior para a definição da melhor forma possível de se enquadrar e integrar com o público: questões como linguagem, tom de conversa são elementos importantes para o sucesso comunicativo.

Contudo, as conversas que transitam para o exterior da organização e para plataformas de social media predeterminam que a organização já não é a detentora da informação. A função de gatekeeper transitou para as mãos do público. Num sentido figurativo é o “público que manda” nesta relação bidireccional. A transparência não necessita de ser levada ao extremo, mas implica que exista a um certo nível para que o público conheça a entidade e o seu funcionamento interno. É do direito destes a recepção desta informação.

A internet é assim uma nova forma de organização social, tornando a relação entre organização e o seu público cada vez mais perceptível, abrindo o mundo de possibilidades. A comunicação é agora instantânea. A criação de histórias é a percepção do contexto e da oportunidade de comunicação. A criação desse contexto advém da estratégia de percepção da interpretação daqueles que assumem uma posição externa face à organização.  É nesta fase onde se cria valor. A discussão e a partilha de experiências e de códigos permite adaptar a comunicação e actividade de um Relações Públicas no futuro, conseguindo enquadrar o que foi aprendido em futuras conversas com o público e criação de todo o processo de storytelling. Aqui a capacidade de saber ouvir e saber relatar aquilo que é dito por quem assume essa posição externa é essencial. Esta capacidade torna mais fácil a adaptação àquilo que é instável.

A credibilidade e a confiança depositadas numa organização é o resultado de um Relações Públicas conseguir dominar o enquadramento da comunicação face a um contexto, face a um público específico, salvaguardando os interesses e necessidades do mesmo, bem como todas as exigências informativas de que este público necessita para o reconhecimento de determinado problema ou temática. A criação de valores partilhados constrói a identificação do público para com a organização. Assim, os valores são categorias ou variáveis de escolha. Tendo este tipo de valores existe interesse por parte do público e, consequentemente, a necessidade mútua entre a envolvente e a própria entidade.

A criação de histórias como resultado da interpretação das visões externas necessitam de alimentação constante. A transição para os Social media requer a actualização permanente de conteúdos e resposta ao público, alimentando igualmente os valores associados no processo de comunicação.

Relações Públicas como forma de interpretação do mundo é a própria criação de identidade entre uma sociedade. A própria partilha de experiências e alimentação de uma história onde impere entendimento entre a organização e o seu público. Os conteúdos publicados na internet não se perdem. Requer análise permanente sobre qual a forma de melhor atingir coesão com o público. Implica a descoberta de um valor comum enquanto call to action. A comunicação necessita de feedback e regulações no pensamento estratégico organizacional.

A qualidade do meu trabalho enquanto Relações Públicas eleva-se com oportunidades como o Globcom. Aqui pude aprender em grande medida outras formas de se fazer Relações Públicas eficaz e eficientemente. Aqui consegui perceber diferentes formas de interpretar o mundo, mas também diferentes formas de interpretar a própria actividade, que se vai alterando ao longo dos anos, fruto das exigências de mercado e alterações no âmbito deste. O choque com outras culturas e outros futuros profissionais da área abriu-me horizontes. Pude perceber a forma como visões diferentes percepcionam determinado problema e a forma como colocam em cima da mesa diferentes formas de o contornar. O conhecimento em Relações Públicas é um elemento dinâmico.

Enquanto Relações Públicas, oportunidades como o Globcom ajudam no confronto de ideias. A meu ver, não há ideias erradas, tal como não há ideias  totalmente certas. Tudo é alvo de argumentação e a confluência de opiniões, em Relações Públicas, é uma forma de gerar a melhor resolução para um problema. O confronto com outros ideais culturais reforça as capacidades comunicativas, enquadramento e adequação de linguagem para diferentes públicos. A argumentação é a quebra de conformidade e de padronização de conhecimento. Relações Públicas é a permanente alteração e actualização da profissão no dia-a-dia.

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Questões como networking, tema discutido ao longo Simpósio, na Zayed University, Abu Dhabi, onde retrata acima de tudo a troca de experiências e de conhecimento, executa-se tanto ao nível laboral, diário entre diversos departamentos, como até numa conversa de bar, onde não existe hierarquia de conhecimento e a união entre nacionalidades permite enquadrar padrões comuns na área de Relações Públicas.

A contradição de pontos de vista não é mau. Torna-se a chave para o enquadramento de soluções e derrube de desafios. A discussão é necessária. O conhecimento estático é o derrube desta profissão, cada vez mais necessária nas organizações dos dias de hoje. A vantagem competitiva executa-se, em grande medida, pelo profissionalismo e eficácia comunicativa de um profissional de Relações Públicas.

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