Por vezes é importante regressar à origem. Abordar determinado conceito e reflectir sobre ele. Enquanto estudante da área, conceitos como o da Comunicação surgem no meu dia a dia como cada vez mais ambíguos e, acima de tudo, incompletos. Também pelo facto de ser difícil reflectir sobre um conceito extremamente abstrato, mas não encaremos esse aspecto como algo negativo. A parcialidade de um conceito é o ponto de partida para a sua futura actualização e desenvolvimento. Implica o confronto de visões e o alcance de algo bem maior. A colectividade e cooperação entre opiniões distintas são variáveis de elevada relevância para a construção de conhecimento e desenvolvimento do próprio pensamento intelectual.

A Comunicação é assim o alinhamento de ambiguidades. De interpretações distintas, contendo o objectivo de construção de valor e de um significado partilhado entre diferentes indivíduos. Aqui podemos ter em consideração o ambiente empresarial actual. A Comunicação é uma bridge builder para o contorno de desafios e adaptação de determinada mensagem de forma a que esta seja bem recebida por todos. A comunicação serve de ferramenta para a construção e manutenção de relações, onde a linguagem é o alicerce para a construção de diferentes estratégias de comunicação.

Por outro lado, a Comunicação serve para antever previsibilidades, mas igualmente importante para ter em consideração critérios e formas de pensar distintas. Formas de codificação que podem divergir em diferentes contextos. Assim, não é apenas a mistura de visões num espaço entre intervenientes, mas sim a combinação desse mesmo pensamento ou perspectiva. Um espaço liberal e de partilha. Um espaço de igualdade onde todos contribuem para a construção do conhecimento – a sua utilidade é  posta à prova pela lógica argumentativa, regra base para a criação de novas ideias.

“Enquanto seres sociais (…) estamos sempre a trabalhar juntos para construir o edifício das ideias de tal maneira que se mantenha em pé” – Bateson, Gregory

Com efeito, comunicar é também a troca de ideias já padronizadas, mas que impliquem abertura perante novas variáveis que ergam a correcta composição do conhecimento. A interacção social é, assim, favorecida graças à comunicação e os objectivos que esta tem para a correta coesão entre uma multiplicidade de indivíduos. Por essa razão, Gregory Bateson, na obra Metadiálogos, reconhece a comunicação como o ponto de partida para a mudança social e a construção de visões acertadas sobre determinado assunto. Em adição, compreende que a comunicação é um espaço de discussão e descoberta argumentativa.

O que importa aqui denotar é o facto de a comunicação ser enquadra enquanto elemento cada vez mais relevante e que nos destaca dos restantes animais. Aproveitando as palavras de Bateson, a comunicação parece ser um jogo de interpretações, de pólos distanciados, mas que ao mesmo tempo nos permite chegar mais rapidamente a consensos. Porém não podemos analisar o confronto de visões como algo que terá de cair para segundo plano. O confronto argumentativo, colocando à prova determinada visão do mundo, é o próprio derrube do conformismo individual e construção da intelectualidade colectiva. Assim, permite a inclusão e exclusão de informação. Por outras palavras, é pela comunicação que é possível afunilar a informação e enobrecer o conhecimento.

A Componente não verbal da Comunicação

Definitivamente, o acrescento da variável não verbal implica uma reflexão mais ampla do conceito de comunicação. De certo, a comunicação tem sentidos diferentes quando associamos aspectos não verbais na equação – a simplicidade da comunicação parece ser anulada. Com certeza, a comunicação não verbal tem um impacto mais significativo na mensagem que se pretende transmitir. Ou seja, é na entoação da voz e nos gestos onde reside a natureza e o objectivo de determinada mensagem.

Comunicação como Processo de Aprendizagem 

Bateson, na sua obra, reconhece que a existe uma dualidade das palavras. Por dualidade entende-se interpretações distanciadas. A conversa assume-se como o espaço que incentiva a abertura e o confronto de visões – um espaço constituído por regras, em permanente actualização.

A conversa, ou espaço de troca de comunicação, é um contexto imprevisível, ao contrário da previsibilidade de comportamentos que definem os seres vivos. Essa imprevisibilidade indica que a conversa não possui contornos. Essa imprevisibilidade constrói o próprio conceito de instinto na comunicação. O instinto dá à comunicação a capacidade de deduzir comportamentos com base em padrões colectivos, mas também a capacidade de se adequar ao longo do tempo.

A comunicação surge assim como instinto e como aprendizagem (componente racional), na medida em que nos faz requalificar padrões e visões gerais do mundo.

Comunicar funciona, de certo modo, como uma balança entre critérios dispares. Aproveitando o contexto das organizações, a comunicação “deve ter em conta a pessoa e não a mensagem” – Bateson, G. Aqui o conceito de feedback é relevante para a própria actualização e adequação de mensagens futuras com diferentes públicos.

Mais uma vez, a comunicação vem apenas clarificar certas atitudes ou comportamentos, procurando igualmente provar aspectos da realidade. Em suma, a comunicação é um espaço onde impera a subjectividade, mas também abre portas para a criação de entendimento e coesão colectiva. Considero que comunicar é perceber as classificações de realidade com base na argumentação e no intelecto individual.

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